As ogivas mentais de “Fatia de Guerra”, em cartaz, no Club Noir

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Paula Spinelli e Renato Forner (Foto: Divulgação)

A sala estava escura, mas já haviam avisado. O público se acomoda em silêncio na sala do Club Noir. Em torno das 21h de ontem (30), a Mostra Brasileira de Dramaturgia Contemporânea seguia com “Fatia de Guerra”, o 5º texto de uma ordem de sete. 50 minutos mais tarde, a peça termina e o mesmo silêncio continua, entrecortado apenas pelo choro contido de um homem na cadeira ao lado. Alguém desperta e aplaude, seguido por todos. O homem se levanta, passa pelo corredor e se junta na fila que já saía. Ele soluçava. Com Juliana Galdino, Paula Spinelli e Renato Forner no palco, o RA-TO-LE-TRA-DO foi assistir à encenação de Roberto Alvim e texto de Andrew Knoll.

No enredo, uma guerra está acontecendo. Tiros e bombas espreitam os arredores de uma casa e de uma família. Pai, filha e um cão doente. O homem quer evitar o sofrimento do animal e decide sacrificá-lo. Conflitos internos e externos são contados sob o três pontos de vista.

Juliana Galdino (Foto: Divulgação)

Juliana Galdino (Foto: Divulgação)

O trio não se movimenta no palco, dando espaço ao texto descritivo. As imagens mentais criadas se encadeiam no ritmo das vozes, e acabam por justificar o minimalismo de elementos na cena. Durante um depoimento, outra personagem pede uma pausa e sugere uma correção. A alteração é incorporada e o discurso atualizado, repetido. O escuro da sala e o silêncio do público se tornam terra fértil para imaginar essas cenas, rebobinadas como num filme. O espetáculo é mental.

E a nuvem de conflitos cobre a plateia que quase não respira. A voz dos atores atravessa a sala e fica palpável. O cão narra a cara do dono prestes a disparar um tiro, o dono busca energia e coragem para fazê-lo. A menina inocente observa. Tudo em câmera lenta. “Quase tudo ao mesmo tempo”, diz o cão. E tudo se apaga.

“Fatia de Guerra” segue até 7 de fevereiro.

Serviço:
“Fatia de Guerra”
Terças, quartas e quintas, às 21h
Club Noir
Rua Augusta, 331 – Consolação
Tel.: (11) 3255 – 8448 / 3257 – 8129
Entrada Franca (Ingressos distribuídos com uma hora de antecedência)

Texto: Leandro Nunes

“Quanto mais queijo, menos queijo”

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